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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Almoço Cubano com os Barcellos

Dois dos atores mais excepcionais deste blog, na qual muitos posts são inspirados, atendem por um nome de família. Uma pronúncia italiana riquíssima, um marido e uma esposa brilhantes, cada um com suas peculiaridades.

Cidinha Barcellos tem 77 anos. É impossível descrever em palavras o que é esta mulher. Tem a doçura e ferocidade ao mesmo tempo em seu olhar. Mentalizem uma mulher terna, mas que luta bravamente por seus direitos. Esta é ela.

Zezinho está beirando a mesma idade. O conheço por Sr. Barcellos, um homem de filosofia e respeito, que gosta de tudo "preto no branco". Foi jornalista e trabalhou numa gráfica quando jovem (se não me engano), por isso a força da expressão "preto no branco".

Almas jovens, altas risadas, em tom e quantidade, e uma cultura que ultrapassou as paredes da sua casa e chegou até mim.

Ela com seus panos e agulhas. Ele, com suas palavras e filosofias desequilibradoras.
Falam de num volume alto, na norma culta, causando ares de chás da tarde de anos passados, vestidos armados. Um bolero rolava: melodia de fundo de cena cubana. Esse era o tema do dia: Cuba.
Mas não Cuba país. Cuba comida: vermelho provindo da bandeira. Agora o verde era o sabor mesmo.

O prato foi cuidadosamente elaborado pela senhoria masculina da cena, enquanto titubeava alguns passos de dança pela cozinha. Cheiro de algas perfumavam a atmosfera local. E ao abrir-se a panela, como uma criança que quer ver coelho sair da cartola, eu ansiava por ver a aparência da maravilhosa obra de arte culinária que sairia dali. Um macarrão se estampou de verde e vermelho no fundo negro de teflon. Limão pra companhar de forma líquida.


Assim desenrolou-se o início deste almoço de umas 2 horinhas, que me renderão vários capítulos neste blog. Aliás Barcellos a partir de hoje será um marcador. Sempre que lerem esse nome aqui, saibam que virão grandes histórias. Deixo vocês com gostinho de Cuba até o próximo proceder.

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