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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Um breve encontro com o Sr. Espelho

Era a Garota, o Telefone, e o Espelho na cena.
O Telefone permaneceu pouco tempo na história. Mas o sr. Espelho ficou ali a indagar a garota com sussurros ensurdecedores:

QUEM É VOCÊ?

O QUE VOCÊ QUER!?

O QUE VOCÊ SE TORNOU!?

Seu olhar era amedrontador, desafiador, questionador, investigador!
Castanho claro avermelhado. Cor de fruta, com sabor amargo... dava até nó na garganta!

A Garota nem se deu conta de quantos segundos prolongados durou aquele olhar. Deu-se conta apenas de que o telefonema a cobrava: VOCÊ ESTÁ ATRASADA MOCINHA!
As amigas estavam esperando, e ela ali, batendo papo com o sr. Espelho.

Os olhos a encararam uma última vez, semi-cerradamente, ela viu uma nevoeira estranha, tudo estava meio úmido, parecia chuva, mas era medo do Espelho.
Este senhor continuou a encará-la. Ela não suportou. Deu as costas pra ele, e foi-se embora pro compromisso. Mas antes se sentiu fuzilada, flechada. Ela era alvo. Daquele brevíssimo encontro restou apenas a ardência! Na garganta. Nos olhos. No coração. "Devem ter sido os fuzis e as flechas!" - E tal da chuva só aumentava.

Então o Telefone grita e entra na história com sua voz amiga! Por mais uns 20 minutos a voz docinha continuou a passar um remédio na ardência.

Volante, ardência e Telefone não é uma boa combinação. Depois de pegar as amigas a Garota quase desceu barranco abaixo. Mas só quase.

Apesar de as balas que a atingiram ficarem alojadas ali dentro, ela sabia que tinha que conviver com isso. Ela era alvo. Tinha que se acostumar, fabricar uma armadura, usar um escudo, pois as balas e flechas sempre viriam. As flechas ela até consegue arrancar... já as balas doem mais.
Mas a Garota está aprendendo a se proteger, a desviar de algumas delas.


Ela só não está pronta pra encarar o sr. Espelho novamente ainda. Mas ela sente que um dia estará...
E nem sempre o Telefone irá tocar.

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