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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Carta pra vocês!

(Leia ouvindo a música!)














Cheguei da facul sem sono. Havia acabado de escrever uma carta de aniversário pra um amigo, e combinando as duas coisas: EU QUIS LER MINHAS CARTAS.
Eu tenho uma caixinha onde guardo todas as cartas que ganhei, que troquei um dia. É a minha Caixa de Entrada preferida. Louco quem trocou a carta pelos e-mails! As cartas reservam humanidade... as cartas são verdadeiros depósitos: de sentimentos, da grafia da pessoa, as vezes, do cheiro, e no caso das minhas, até de cabelos. Na imagem: Tem algumas delas, a carta da Janaína, amiga de colegial, que deixou comigo um pedacinho de quando tinha o cabelo azul, de lembrança da pessoa maravilhosa e doce que ela é. Eu lendo uma carta da minha melhor amiga Claudia, de quando saímos do colegial, ela me contando as experiências novas e tudo mais que havia mudado. E a outra imagem é um clássico cartão de Natal! Da minha amiga de infância, minha Larissa que morou na minha rua, que jogava queimada e escrevia versos comigo! Aaah as cartas, os bilhetes, os correios elegantes de festa junina, os cartões de Natal, deixam histórias... são pura materialidade fictícia das pessoas que não estão por perto, que se mantém contato. A carta torna a pessoa importante. Só quero trocar cartas com quem amo e faço questão de saber como vai a vida, como vai a história que um dia se cruzou com a minha, e hoje talvez, esteja tão distante.
Eu trago pedaços de outras pessoas nessa caixinha! Eu trago as mudanças ocorridas na vida delas, eu trago manifestações de afeto tão necessários numa noite fria... eu trago o cheiro de uma aventura inesquecível, de um amor momentâneo e intenso. Eu trago lamentações e tristezas, trago lágrimas, trago letras sofridas e felizes!
Na minha caixinha eu trago as voltas que o mundo deu, as crenças que se foram, as novas rotações e translações de cada um!
E minhas cartas levam pedaços de mim, de como me sinto, de como sou, do que tenho feito, das minhas estações do ano!
As cartas acompanham o tempo. O papel despedaça, amarela nas bordas, a tinta da caneta mancha... E a pessoa, pode estar até do outro lado do mundo! Mas está ali, do seu lado. Está ali a lembrança viva da voz, como um narrador imaginário! Você pode ouvir?! Eu consigo ouvir! A carta é uma conversa! Uma conversa que não se desatualiza... vez em quando abro essa caixinha de fundo negro e flores prateadas, e mais parece uma caixa com fitas que eu coloquei num gravador pra ouvir! Como são intensas! Como cada letra carrega consigo a expressão mais verdadeira! Como são lindas aquelas que desprezam os rascunhos! Que saem como saem, cheia de rabiscos, e erros gramaticais! Como são lindas as trabalhadas, as com margem, mostram o carinho e o cuidado da pessoa ao escrever! E as com caneta de tinta gel!? Brilhantes e coloridas? Alegres e divertidas?!
As vezes trazem filosofias de vida, as vezes apenas um fato... as vezes uma poesia, um acróstico amoroso... um filme! Todo inteiro sendo vivido dentro da imaginação novamente!


De gente que te amou, de gente que te ama, de gente que te odeia!
De gente que te marcou!
Dobrados de coração, em lindos envelopes, em diversas datas!
Fica aqui meu sincero agradecimento, a todos que deixaram seus pedaços comigo e levaram pedaços de mim! E meu apelo: nunca deixem de mandar suas peças de quebra-cabeça, seus sentimentos grafados, suas narrativas, pois eu as amo de tal maneira, que sou infinitamente feliz por saber ler e escrever, pra poder lê-las e respondê-las! Elas me construíram, e quantas vezes me fizeram dormir mais tranquila, me fizeram acreditar mais em mim e no meu potencial, me animaram, me encorajaram, 
me fizeram chorar de tanto rir, e rir de tanto chorar!

Continuem escrevendo!

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