Páginas

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Radar

Queimando toda fé, seja o que Deus quiser!

Há passos na vida que eu nunca quis dar, coisas que nunca quis fazer, decisões horríveis que tive que tomar.
Acho que eu me poupo de crescer mentalmente, quero ser eternamente uma criança sem problemas e responsabilidades, sem ter que dizer não pra ninguém, sem ter que magoar pessoas, sem ter que sofrer perdas familiares...
Dias atribulados me fizeram crescer um pouco, meu emocional está parcialmente destruído. Eu sabia que era fraca quando me confrontava com perdas, mas só descobrimos o tamanho do problema ao passar por ele.
Ver o desespero familiar, dois parentes numa maca, entrando e saindo de hospital, choro, inquietação. E o tratamento especializado oferecido como se meus entes queridos fossem apenas um amontoado de carnes.
Eu tentava ser fria e calculista, tentava fingir que estava bem, tentava ser a calma da minha mãe, tentava resolver os problemas burocráticos como gente grande!

Em meio ao cenário, no fim do corredor, havia uma plaquinha escrito: CAPELA
E foi ali que por 5 min. que fosse eu agradecia por cada melhora, do tio, e da avó, e fazia os mesmos pedidos de sempre. E foi só por causa Dele que eu consegui ser mais adulta. Encarar a situação com uma força que, era impossível ser só minha. Eu tive grandes aliados. Poucos amigos se preocuparam, mas eu tinha amigos grandiosos naquele hospital.

É só me recompor, mas eu não sei quem sou.
E nesta mesma noite, me faltou um pedaço teu. Foi então que me lembrei dessa canção, palavra tão desnecessária que só poderia mesmo me machucar: RADAR. Apesar de merecer, não era um bom dia.

Queimei toda minha fé, pra manter minhas palavras, pra manter minhas decisões, pra manter silêncio no calar do ônibus da faculdade (alguns soluços escapam sempre).
Tudo que eu não precisava ouvir era: TALLULAH. O silêncio se rompeu por alguns instantes até minha blusa de frio que passou a ter outra utilidade, sufocar. Algumas pessoas foram essenciais neste dia. O colo, e o simples fato de dizer: "Força amiga!"



Mas logo era meia noite. O sono demorou a chegar, mas me fez companhia por umas duas horinhas, e o Sol veio me dar bom dia. O amanhecer trouxe consigo 10ml a mais de maturidade, tão dolorosas de se conquistar, abrindo mão de atitudes e pessoas, mas me serviu pra descobrir o que a palavra RADAR me significou naquela noite: Maturidade. Maturidade que você conquistou com tanta dor. E que naquele momento você não tinha o tal do aparelho, mas quantas vezes rastreou as coisas em meus lhos e eu nem me dei conta disso?
Além disso, outras pessoas tiveram radar naquela noite. Graças a Deus.

Sofrer as dores é difícil. Ser responsável pela dor, é mais árduo ainda...
Os dois ao mesmo tempo? Cara, nenhuma palavra é necessária pra explicar isso.
Apenas, fui ficando sem ar.

*Créditos: Ls Jack

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Diálogo?