Páginas

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

De onde vem a Inspiração?!

Já ouvi um milhão de palestras que citam Rubem Alves. Pensei: Vou pegar um livro dele e ver o que esse cara fala. Então vi um título que me impressionou tão logo:


“Ostra feliz não faz pérola”. A ostra, para fazer uma pérola, precisa ter dentro de si um grão de areia que a faça sofrer. Sofrendo a ostra diz para si mesma:

“Preciso envolver essa areia pontuda que me machuca com uma esfera lisa que lhe tire as pontas…” Ostras felizes não fazem pérolas… Pessoas felizes não sentem a necessidade de criar. A ato criador, seja na ciência ou na arte, surge sempre de uma dor, Não é preciso que seja uma dor doída…Por vezes a dor aparece como aquela coceira que tem o nome de curiosidade. Este livro está cheio de areias pontudas que me machucaram. Para me livrar da dor, escrevi”
Essa é a mais bela das metáforas que explicam a maioria dos meus posts, minhas escassas poesias, e pingadas filosofias. A dor, que as vezes transborda do lugar que vem, se derrama e transforma-se em textos, maneira tão sublime de comunicação é essa tal de dor, seja a de sofrimento, seja a de curiosidade, e eu, por vezes possuo as duas, por vezes, fico looongos dias sem sentir essas dores, sem ter uma areia me cutucando.
 Coincidi exatamente com sua teoria do criar.


quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Radar

Queimando toda fé, seja o que Deus quiser!

Há passos na vida que eu nunca quis dar, coisas que nunca quis fazer, decisões horríveis que tive que tomar.
Acho que eu me poupo de crescer mentalmente, quero ser eternamente uma criança sem problemas e responsabilidades, sem ter que dizer não pra ninguém, sem ter que magoar pessoas, sem ter que sofrer perdas familiares...
Dias atribulados me fizeram crescer um pouco, meu emocional está parcialmente destruído. Eu sabia que era fraca quando me confrontava com perdas, mas só descobrimos o tamanho do problema ao passar por ele.
Ver o desespero familiar, dois parentes numa maca, entrando e saindo de hospital, choro, inquietação. E o tratamento especializado oferecido como se meus entes queridos fossem apenas um amontoado de carnes.
Eu tentava ser fria e calculista, tentava fingir que estava bem, tentava ser a calma da minha mãe, tentava resolver os problemas burocráticos como gente grande!

Em meio ao cenário, no fim do corredor, havia uma plaquinha escrito: CAPELA
E foi ali que por 5 min. que fosse eu agradecia por cada melhora, do tio, e da avó, e fazia os mesmos pedidos de sempre. E foi só por causa Dele que eu consegui ser mais adulta. Encarar a situação com uma força que, era impossível ser só minha. Eu tive grandes aliados. Poucos amigos se preocuparam, mas eu tinha amigos grandiosos naquele hospital.

É só me recompor, mas eu não sei quem sou.
E nesta mesma noite, me faltou um pedaço teu. Foi então que me lembrei dessa canção, palavra tão desnecessária que só poderia mesmo me machucar: RADAR. Apesar de merecer, não era um bom dia.

Queimei toda minha fé, pra manter minhas palavras, pra manter minhas decisões, pra manter silêncio no calar do ônibus da faculdade (alguns soluços escapam sempre).
Tudo que eu não precisava ouvir era: TALLULAH. O silêncio se rompeu por alguns instantes até minha blusa de frio que passou a ter outra utilidade, sufocar. Algumas pessoas foram essenciais neste dia. O colo, e o simples fato de dizer: "Força amiga!"



Mas logo era meia noite. O sono demorou a chegar, mas me fez companhia por umas duas horinhas, e o Sol veio me dar bom dia. O amanhecer trouxe consigo 10ml a mais de maturidade, tão dolorosas de se conquistar, abrindo mão de atitudes e pessoas, mas me serviu pra descobrir o que a palavra RADAR me significou naquela noite: Maturidade. Maturidade que você conquistou com tanta dor. E que naquele momento você não tinha o tal do aparelho, mas quantas vezes rastreou as coisas em meus lhos e eu nem me dei conta disso?
Além disso, outras pessoas tiveram radar naquela noite. Graças a Deus.

Sofrer as dores é difícil. Ser responsável pela dor, é mais árduo ainda...
Os dois ao mesmo tempo? Cara, nenhuma palavra é necessária pra explicar isso.
Apenas, fui ficando sem ar.

*Créditos: Ls Jack

domingo, 2 de setembro de 2012

Estranhisses do meu cotidiano

Eu vivo rodeada das pessoas que não eram para estar ali. Pessoas nas quais eu deveria sentir ódio. Pessoas que deveriam sentir ódio de mim!
É estranho quando você olha pra pessoa que você mais tem cumplicidade e vê nela alguém que você já magoou demais. Como pode desconsiderar as feridas que causei e ainda continuar me tratando como a mais bonita pérola de todo o oceano Pacífico!? Não era pra ser Pacífico.
Você deveria não querer mais me ver na sua frente!

1 - Eu tenho amigos físicos e matemáticos. O que não faz o menor sentido quando sou alguém que odeia os números e não entende patavinas nenhuma do que eles falam.
2 - Estou cercada de pessoas que já magoei, que eu odeio, que me odeiam, mas é estranho como as que eu amo saem da minha vida, enquanto as primeiras citadas estão ao meu redor e eu me dou bem com elas.
3 - Ao mesmo tempo que esses detalhes acontecem, sou uma pessoa que vaga pela faculdade. Lá tenho uma única amiga. Não me adapto a certas coisas que alguns alunos fazem, tipo festas, e puxação de saco.