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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Inocência


Mamãe, a primeira vez que choveu
Achei que o Papai do céu estava bravo
E que as nuvens estavam despedaçando-se sobre mim
Me molhando friamente.



Mamãe, a primeira vez que vi o arco-íris
Achei que lá habitavam doendes
E que se eu chegasse no fim
Encontraria um baú cheio de ouro.



Mamãe quando eu tinha inocência

Eu prefiria os desenhos animados às novelas

Os morangos aos remédios

As bonecas aos bailes de sábado

Um amiguinho pra brincar no parque, à um namorado



Mamãe me assustava com filmes de terror
Achava que as múmias eram vivas ao invés de mortos,
Achava que o saci pererê me pegaria nas sextas feiras 13
e então suava como uma boba escondida embaixo das cobertas



Diga-me mamãe, porque passou tão velozmente
Mal vi o término da escola,
Corri pelo trabalho, e logo me casei...
Pessoas entraram, pessoas saíram
ME alegrei, fui feliz.
Chorei, vivi dias amargos.
Onde é que foi parar toda aquela inocência?
Quando reclamava do estrepe em minha mão,
Papai sempre dizia: "Você não sabe o que é dor menina!"
Quando adolescente reclaamei dos meus problemas, papai sempre me disse:
"Você vai começar a ter problemas quando crescer mais!"
E quando papai me batia, eu sentia ódio dele. Mas sempre o amei.
Ele sempre foi meu herói.



Mamãe, eu agarrava a barra da sua saia.
E hoje tenho alguém agarrando a barra da minha.

Um comentário:

  1. vééiu!!!
    a gente cresce e tals... o tempo passa e só percebemos quando ele já foi.

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