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domingo, 4 de abril de 2010

A Semana Maior

Eu então estava me virando no avesso para agüentar 2 empregos. Um das 7 as 5 e um das 6 e meia as 9 e meia. E sinceramente eu estava tão cansada, que onde eu encostava eu dormia. Meu corpo fraco já não estava mais agüentando, mas firme eu tentava continuar. E eu senti muito por não poder ir a missa de lava pés que seria na quinta a noite. Eu estaria no emprego.
Foi então que eu rezei pedindo um sinal a Deus, pra saber com qual dos dois empregos eu teria de ficar, pra poder agüentar. E no dia seguinte eu recebi uma ligação dizendo que eu teria que pagar ida e volta do ônibus pra cidade que eu trabalhava. Eis o sinal. Pra eu pagar o ônibus, eu pagaria, pra trabalhar. Tive que sair do emprego a noite. E saí na quarta feira. E a missa era na quinta. Sacaram? Saoksaopaksopas
Enfim eu pude comparecer, e foi linda, emocionante, maravilhosa, e se eu perdesse, eu ficaria muito triste mesmo. A Fran, e o Markinho estavam entre as pessoas que o padre lavou os pés. Estava também José Maria, meu catequista de Crisma 3, que despertou em mim vontade de ser catequista. E também duas crianças e alguns ministros.
Além de lavar os pés, teve a celebração da ultima ceia. Também cantada.
E até hoje, fazemos isto, em memória Dele.
Foi também dia de rezar pelos sacerdotes.
E o que me impressiona, é que por mais demoradas que sejam as missas desta semana especial para os cristãos, o tempo lá dentro, não importa.

1000 Ave Marias
Um evento, que também seria na quinta. Melhor, nos primeiros momentos da sexta feira santa. Seria na comunidade Sede Santos, que fica praticamente fora da cidade. Eu fui.
Munida de terço, um salgadinho e uma coca cola, eu viraria a noite rezando Ave Maria. Mil Ave Marias. As 500 primeiras rezamos sentados, alternando a ordem de inicio e fim: homens começam, mulheres terminam e vice-versa.
Mas quando deu 250, já tinha gente dormindo, gente falando que nem bêbado, gente se balançando pra não cochilar. Gente rezando bem alto pra acordar os irmãos, gente embaralhando as frases da oração. Eu ainda estava forte. Quando chegou perto das 500 EU JÁ ESTAVA MORRENDO DE SONO. E isso eram umas 2 e meia da manhã. Quando finalmente chegamos na metade, houve um intervalo para comilança. Enchermos o pando, como diria minha avó. E voltamos a rezar. Eu até tomei café pra agüentar.
MÃS.. foi muito difícil, rezamos mais 250 sentados. Eu ás vezes "pescava". Coçava o olho, e com muita força eu tentava manter os olhos abertos, até chegar uma hora que saía tanta água deles que eu fechei, mas ainda estava consciente. Meus cotovelos emcima dos joelhos com as mãos nos olhos. Eu me daria por vencida né? No fundo eu sabia que não agüentaria. NÃO AGUENTARIA SOZINHA. E eu não estava sozinha. Senti um chaqualhão nos ombros dizendo: "Acorda, catequista!". Era a Fran *-* E então reabri o olho, e recomecei a rezar. E quando a Fran viu que a coisa tava ficando feia e que todo mundo não agüentava mais, que ela, e o Rafa, e a Letícia e a outra Fran eram os únicos que ainda estavam fortes eles disseram: "Vamos rezar caminhando."
A gente saiu pelas ruas, no escuro, os cães latiam, algumas vacas mugiam. Osaopkspk, E A GENTE AINDA REZAVA, 5 DA MANHÃ.
Eu estava de braços dados com a Fran, e me sentia uma bêbada, bêbada mesmo. Porque tudo girava, as pernas trançavam, e ela tava ali, mais me segurando, do que me acompanhando. Agüentando o meu peso sobre ela. Quase caí, várias vezes. E então, o povo começou a reclamar de dor em tudo quanto é lugar. Ela disse pra sentar em roda, no meio da rua. Alguns desmaiaram por ali mesmo. Dormiram de roncar mesmo. SASAOKASOPA boa parte eu fiquei consciente. E sempre que ia ficar inconsciente ela me cutucava: "Acorda, catequista!". Até que Ela mesma se cansou, e deitou no meu ombro. E eu a balancei e disse: "Acorda Fran!". Então acordamos todo mundo e continuamos caminhando. Seis e meia chegamos na cidade. As 7 na frente da igreja, terminamos as 1000 ave marias.
Foi uma experiência incrível. De ver até que ponto nós agüentaríamos, e quantas vezes tentariam te ajudar, quantas vezes seu irmão te agüentaria como um bêbado do lado dele. Ou se ele te abandonaria, e deixaria você dormir. Ou se sua solidariedade seria tamanha que seria para ele como carregar uma pessoa nos ombros, uma cruz.
Obrigada Fran.

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Diálogo?